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| O Barco de Papel António Torrado Cristina Malaquias | |
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| Era uma vez um barco de papel, que se fez ao mar.
Barco de papel, no meio do mar, estão a ver o que lhe aconteceu... Escangalhou-se à primeira onda.
E regressou à praia. Estatelado na areia, era uma lástima vê-lo. | |
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| Andava por ali um jornalista, coleccionador de desastres e desgraças, que lhe perguntou:
- Senhor barco de papel, como se sente, depois da aventura?
O barco, todo amarrotado pelo desespero e a humilhação da derrota, esboçou um sorriso. Um sorriso de papel:
- O que sinto vê-se. Não lhe posso dizer mais nada. | |
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| Mas o jornalista insistiu:
- Atribui, porventura, o seu naufrágio a alguma causa em especial?
- À minha pouca prática, apenas - respondeu o barco de papel. - E pode escrever que também à minha falta de vocação.
O jornalista ainda:
- Falta de vocação? Interessante. | |
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| Nesse caso, se pudesse ter voltado atrás, o que teria sido?
O barco de papel ou o que dele sobrara fugiu da pergunta, aproveitando o escorrega de uma onda, que descia da praia. Estava muito cansado o barco de papel. | |
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